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Arquivo da categoria: Ano Sacerdotal

O Respeito Devido aos Sacerdotes – 2ª Parte

O GRANDE PECADO DOS PERSEGUIDORES

São muitas as razões que fazem desta ofensa a mais grave. Vou lembrar apenas três. A primeira é porque os perseguidores agem contra mim em tudo o que fazem em oposição aos meus ministros. A segunda é porque desobedecem àquela ordem pela qual proibi que meus sacerdotes fossem tocados. Ao persegui-los, os homens desprezam a riqueza do sangue de Cristo recebida no batismo. Desrespeitando o sangue de Jesus e perseguindo os ministros, rebelam-se e tornam-se membros apodrecidos, separados da hierarquia eclesiástica. Caso venham a morrer obstinados em tal revolta e desrespeito, irão para a condenação eterna. Se reconhecerem a própria culpa na última hora, humilhando-se e desejando a reconciliação, mesmo que não o consigam fazer exteriormente, serão perdoados. Mas não devem esperar pelo momento da morte, pois será incerto o próprio arrependimento. A terceira razão, pelo qual este pecado é o mais grave, está no seguinte: é uma falta maldosa e deliberada. Os perseguidores têm consciência de que o não devem cometer, sabem que vão pecar; cometem um ato de orgulho, em que não entram atrações sensíveis, muito pelo contrário. Tais pecadores arriscam a alma e o corpo: a alma. Privando-se da graça, muitas vezes em meio a remorsos da consciência; o corpo, gastando seus bens a serviço do diabo e indo morrer como animais. Não, este pecado cometido contra mim não possui características de satisfação ou prazer pessoais; acompanham-no apenas os desvarios e a maldade do orgulho! Um orgulho que nasce do egoísmo e daquele medo próprio de Pilatos, quando matou meu Filho por temor de perder o cargo. É o que sempre fizeram os perseguidores. Os demais pecados procedem de uma certa simploriedade, de ignorância ou de satisfação pessoal desordenada, de certo prazer ou utilidade presente no ato mau. Naqueles pecados, o homem prejudica a si mesmo, ofende a mim e ao próximo. Ofende-me por não me glorificar; ao próximo por não o amar. Na realidade, não se ergue frontalmente contra mim; ergue-se contra si mesmo, e isso me desagrada. Já no pecado de perseguição contra a santa Igreja, sou ofendido diretamente. Os outros vícios possuem uma justificativa, uma razão intermediária. Já afirmei que todo o pecado e virtude são feitos no próximo (2.6). O pecado é ausência de amor e pelos homens; a virtude é amor caritativo. Neste pecado, os maus perseguem o próprio sangue de Cristo ao se investirem contra meus ministros, e privam-se de sua riqueza espiritual. Entre todos os homens, os sacerdotes são meus eleitos, meus consagrados, são os distribuidores do sangue do meu Filho, em quem vossa natureza está unida à minha. Quando consagram a eucaristia, os ministros o fazem na pessoa de Jesus. Como vês, realmente este pecado é dirigido contra meu Filho; por conseguinte, contra mim, pois somos um. É uma falta gravíssima. Não se dirige aos ministros, dirige-se a mim. Também o respeito demonstrado para com eles, considero-os como se fossem para mim e meu Filho. Por tal motivo te dizia que, se colocasses de um lado todos os demais pecados e este, sozinho, do outro, o último ser-me-ia mais ofensivo. Falei de tudo isso para dar-te motivo de maior preocupação, seja por causa do pecado com que me ofendem, seja pela condenação eterna dos infelizes perseguidores. Assim, o teu sofrimento e o dos meus servidores dissolverão a grande treva que desceu sobre estes membros apodrecidos, atualmente separados da hierarquia da santa Igreja. Infelizmente quase não acho pessoas que aceitem angustiar-se por causa das perseguições em curso contra o precioso sangue. Mais facilmente encontro quem atire continuamente flechas contra mim; são pessoas cegas à procura de fama. Consideram honroso o que é infame, infame o que é honroso; recusam humilhar-se diante do próprio superior. Com tais defeitos muitos ousam perseguir o sangue de Cristo, ferem-me profundamente. Quando podem, tanto se esforçam por prejudicar-me. Na realidade, não me danificam. Sou como a pedra que, ao ser batida, devolve o golpe a quem o deu. Mesmo os pecados mais vergonhosos não me causam males; são flechas envenenadas que a eles retornam em forma de culpa. Durante esta vida, privam-se da graça, e no dia da morte, não havendo arrependimento irão para a condenação. Vivem distantes de mim, atrelados ao demônio com quem se coligaram. Quando o homem perde a graça, amarra-se ao pecado. É um laço feito de ódio pelo bem e de amor pelo mal; uma corrente com que espontaneamente a alma se entrega ao diabo, pois isso ninguém a pode obrigar.

Este mesmo laço une os perseguidores da Igreja entre si e com o maligno; de comum acordo, aqueles desempenham a função do demônio. Esforça-se este por perverter os homens, induzindo-os ao pecado mortal; deseja que as almas tenham em si a maldade em que ele vive. Pois bem, fazem a mesma coisa os inimigos da Igreja: quais membros do diabo procuram levar os filhos da Igreja à revolta contra a hierarquia, afastam-nos da caridade, acorrentam-nos ao pecado, privam-nos dos benefícios da paixão. O vínculo que une tais perseguidores nasce do orgulho e da vanglória; com medo de perder os bens materiais, acabam perdendo a graça. De possuidores da dignidade de Cristo, decaem para a maior confusão interior possível. São pactos que trazem o selo das trevas. Desconhecendo os males e pecados em que vivem, neles fazem cair outros; inconscientes dos seus pecados, não se corrigem. Como cegos, caminham vangloriando-se para a destruição da própria alma e do próprio corpo.

Filha querida chora profundamente diante dessa cegueira e miséria. São homens que, como tu, foram lavados no sangue; que se nutriram no sangue; que cresceram no seio da santa Igreja. Agora, revoltados, abandonaram-na sob pretexto de corrigir os defeitos dos meus ministros. Eu já proibira tal comportamento, dizendo: “Não quero que meus ministros sejam ofendidos”. Autêntico terror deveria apossar-se de ti e dos demais servidores meus, quando ouvis falar de semelhantes alianças. Tua linguagem é insuficiente para referir quanto as abomino. O pior é que tais pessoas procuram encobrir seus defeitos sob o manto dos defeitos dos meus ministros. Não se lembram de que não existe capa que os esconda diante de mim. Na opinião pública, bem que passam desapercebidos; não em minha presença. Conheço os acontecimentos desta vida e muito mais. Pensei em todos vós e vos amei antes de vosso nascimento.

Um dos motivos pelos quais esses infelizes não se corrigem é a falta de fé. Julgam que não os vejo. Se acreditassem realmente que sei dos seus defeitos, se acreditassem que todo pecado é punido e todo bem recompensado, como expliquei em outro lugar (14.10), haveriam de corrigir-se e pedir humildemente o perdão. Nesse caso, pelo sangue de Cristo e os perdoaria. Mas vivem na obstinação, reprovados por tantos males. Arruinaram-se, vivem nas trevas, perseguindo cegamente a Cristo.

Em suma, ninguém deveria perseguir meus sacerdotes por causa de defeitos seus!

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Publicado por em 4 de agosto de 2009 em Ano Sacerdotal

 

O respeito devido aos sacerdotes – 1ª Parte

A crise pela qual a Igreja passa é grave. Inúmeros são os sacerdotes que causam escândalo aos fiéis, como, aliás, esse blog já mostrou algumas vezes. Frente a isso seria fácil criticar esse ou aquele sacerdote de maneira ofensiva. O texto abaixo, escrito por Santa Catarina de Sena e publicado no Livro “O Diálogo” mostra muito bem qual deve ser a atitude de um católico frente aos erros cometidos por um sacerdote.

FILHA querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com a chave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, foram seu sangue e sua morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro e a seus sucessores, os que virão depois dele até o dia do juízo final. Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do sangue de Cristo e dos sacramentos. Já disse (28.1) que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por quem o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os sacramentos da santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

VISÃO SOBRE O PAPA

Na terra, quem possui a chave do sangue é o Cristo-na-terra. Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a hierarquia da Igreja sob a figura de uma despensa contendo o sangue de meu Filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fiéis. À porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja. Quem ele escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos. De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possuiu aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina.

NÃO PERSEGUIR OS SACERDOTES

Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 104,15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-l0, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei e por isso mesmo não ser ofendidos. Que os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos!” Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores!” Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa nele vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar (928.6). Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse (28.2.1), a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.

 
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Publicado por em 29 de julho de 2009 em Ano Sacerdotal

 

Importância da devoção mariana para as vocações

Explica o cardeal Lajolo durante sua visita à Ucrânia

KIEV, quarta-feira, 22 de julho de 2009 (ZENIT.org).- O encontro contínuo com Maria “nos ajuda a descobrir nosso destino pessoal e o sentido da história à luz de Cristo”, afirmou o presidente da Comissão Pontifícia para a Cidade do Vaticano, cardeal Giovanni Lajolo.
O cardeal destacou a importância da devoção mariana, especialmente para as vocações, após a procissão mariana celebrada em Zarvanytsia (Ucrânia) neste sábado, vigília da festa da bem-aventurada Virgem Maria, padroeira do povo ucraniano.
O ato faz parte da visita realizada a esse país báltico entre os dias 17 e 21 de julho, a convite da Igreja local, segundo informa L’Osservatore Romano em sua edição diária em língua italiana nesta quarta-feira.
“Maria nos ensina a ter fé em Jesus e Ele nos ensina a compreender a nós mesmos, a discernir nossa vocação, a abrir-nos aos projetos de Deus para o futuro”, assegurou.
O cardeal Lajolo indicou que “contemplando o rosto de Maria, descobrimos o verdadeiro rosto de Deus, sua beleza, sua bondade e sua misericórdia”. “Contemplando o rosto de Nossa Senhora, ficamos iluminados pela luz divina que transforma também nosso rosto”, acrescentou.
Para o cardeal, “recorrendo à intercessão de Maria e escutando sua voz, renovamos a fidelidade à nossa vocação e recebemos a graça de revelar aos corações das novas gerações a beleza da vocação ao sacerdócio e à vida consagrada”.
Além de Zarvanytsia, o cardeal Lojolo visitou Lviv, Ternopil, Berdychiv e Kiev, e descreveu sua visita ao país báltico como “uma viagem para sentir-se parte da Igreja na Ucrânia”.
Segundo explicou o purpurado, a visita à Ucrânia foi significativa por muitas razões. Foi uma ocasião “para dar testemunho de unidade da Igreja”, diante de um mundo que, marcado por “tanta indiferença e às vezes tanta hostilidade manifesta e oculta”, mostra ter uma grande necessidade de unidade, indicou.
Uma ocasião também para reafirmar “o espírito de comunhão fraterna que reina na Igreja, que é um só coração e uma só alma em Cristo”.
No sábado, o cardeal celebrou a Missa na catedral latina de Lviv, e no domingo, no santuário de Berdychiv, junto a centenas de fiéis.
Este santuário tem uma história singular: durante muitos anos do século passado, o edifício foi transformado em museu do ateísmo, como um sinal de ódio à fé. Ao recuperar seu antigo sentido, adquiriu um grande significado simbólico para a história da Ucrânia e de toda a Europa. Passou de ser um lugar exemplar para demonstrar a falsidade da religião a converter-se novamente em um frequentadíssimo lugar de devoção mariana.
A imagem de Nossa Senhora não foi destruída porque os responsáveis do museu pensaram que teria um grande valor histórico. Na verdade, tratava-se de uma reprodução da imagem de Maria, Saúde do Povo Romano, venerada na basílica papal de Santa Maria a Maior, de Roma.
“Neste lugar usado contra Deus, ainda que, na verdade, também contra o homem, deixai-me dizer que há algo pior que negar Deus: esquecer-se de Deus, viver como se Ele não estivesse aqui”, disse o cardeal. E destacou que “o esquecimento de Deus é o grande perigo da cultura do Ocidente”.
O cardeal pediu: “Não vos esqueçais de Deus. Nunca! Deus é luz; Ele dá à nossa vida seu significado último. Quem crê em Deus e confia n’Ele, nunca fica decepcionado”.
“Ninguém pode dizer que ama a Deus se não ama o homem, imagem de Deus – acrescentou. Por isso, a verdadeira religião nos encaminha interiormente à paz.”
Dirigindo-se aos jovens presentes, indicou-lhes Maria como caminho para “transformar em novos santuários os numerosos museus do ateísmo espalhados pela terra”. E lhes disse: “Em Maria, vemos o amor de Deus por nós com toda a sua força, mas também com toda a sua ternura, que sempre tem sua origem no próprio Jesus”.

 
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Publicado por em 24 de julho de 2009 em Ano Sacerdotal, Nossa Senhora

 

Rezemos pelos Sacerdotes

Apenas relembrando que estamos no Ano Sacerdotal há cerca de um mês.

Intensifiquemos nossas orações pelo clero!

 
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Publicado por em 21 de julho de 2009 em Ano Sacerdotal

 

O sacerdócio edifica a Igreja

Ao proclamar o Ano Sacerdotal, com ocasião da comemoração do 150º aniversário do dies natalis de São João Batista Maria Vianney o Santo Padre, Papa Bento XVI, disse que pretendia “contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”. Este Ano Sacerdotal deve ser um tempo no qual não só os sacerdotes, mas todos os fiéis redescubramos a beleza deste grande dom que o Senhor confiou à Sua Esposa, a Igreja.

Se todo cristão é um «Outro Cristo» – Alter Christus -, com muito mais razão o é o sacerdote. Homem configurado ao Senhor não só em virtude do sacramento batismal, mas também pela ordenação sacerdotal, que realiza nele uma identificação total com Cristo, Cabeça da Igreja. Podemos dizer que tal identificação é tão profunda, que já não existe uma alteridade perfeita entre Cristo e o sacerdote. Ele já não é somente um Alter Christus, mas Ipse Christus, o mesmíssimo Cristo.

Estritamente falando, só existe um Único Sacerdote: Jesus Cristo. Todos aqueles que recebemos o dom do sacerdócio por imposição das mãos dos Apóstolos e seus sucessores somos sacerdotes n’Ele, isto é, participamos do seu único e sempiterno sacerdócio.

O sacerdote perpetua a presença do Senhor na história dos homens de todos os tempos. Ele é chamado a fazer de sua voz, a voz de Seu Senhor; do seu olhar, o mesmo olhar amoroso do Mestre; de suas mãos, mãos que seguem curando e levantando aqueles que sofrem sob o peso de seus pecados. Parafraseando a Bem Aventurada Madre Teresa de Calcutá, podemos dizer, em uma palavra, que o sacerdote permite que Cristo siga amando através dele.

Por mais que quiséssemos, jamais conseguiríamos abarcar por completo este mistério na Igreja de Deus. O Santo Cura d’Ars dizia aos seus, que se entendêssemos o que é um sacerdote, morreríamos, não de susto, mas de amor. Afirmava também que só no Céu, o sacerdote entenderá bem a si mesmo.

A dignidade dos sacerdotes – a qual todos somos chamados a redescobrir neste Ano Sacerdotal – não consiste nas qualidades pessoais daqueles que são chamados a este ministério. Na verdade, parece que essas são inclusive bem escassas naqueles a quem o Senhor chama. Se Ele fosse seguir a lógica humana, certamente escolheria a outros. Há seguramente muito mais pessoas eloqüentes por aí, mais inteligentes, e até mesmo mais santas. Por certo, a criatura mais perfeita e bela que saiu das mãos de Deus, a Virgem Maria, não foi chamada ao sacerdócio. Aqui cai por terra a débil argumentação feminista, segundo a qual as mulheres deveriam ser também ordenadas, pois possuem a mesma dignidade que os homens. Em parte é verdade, mulheres e homens possuem a mesma dignidade diante de Deus, mas a dignidade do sacerdote – ignoram os feministas – não reside em que ele humanamente seja mais ou menos digno, mas no tesouro sobrenatural que ele porta, apesar do pobre vaso que é, na eleição que o próprio Deus fez dele.

O Senhor chama aqueles que Ele quis (Cf. Mc 3,13). Essa é a razão suprema do chamado sacerdotal: o querer libérrimo de Deus, totalmente independente das qualidades pessoais daquele que é chamado. A vocação sacerdotal é, por isso, dom totalmente gratuito. Ninguém tem “direito” a recebê-la.

A presença do sacerdote no mundo é absolutamente necessária para que a redenção alcance a todos os homens. A ação mais sublime que um homem pode realizar na terra – consagrar o Corpo e o Sangue do Senhor, e perdoar os pecados – só pode ser realizada por um sacerdote. “O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…). Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas” (São João Maria Vianney).

Sem padre, não há Eucaristia, e, sem Eucaristia, não há Igreja. O teólogo francês, Henri de Lubac, afirmava que a “Eucaristia edifica a Igreja”. Podemos aqui acudir também a uma paráfrase e dizer que “o sacerdócio edifica a Igreja”. O caminho inverso, infelizmente, também é verdadeiro. Se alguém quiser desedificar a Igreja, tentará fazê-lo procurando destruir o sacerdócio. O demônio e os seus amigos sabem muito bem disso, e, como não tiram férias, tentam a todo o momento macular a imagem dos sacerdotes entre os homens.

Essa é a única razão pela qual os pecados dos ministros de Cristo são lançados aos quatro ventos, para que todos os contemplem e deixem de perceber o tesouro que escondem por detrás de suas fragilidades humanas. Não sejamos ingênuos: qual outra razão teriam em publicar em diversos meios de comunicação as misérias desses homens?

É verdade, lamentavelmente, que existem – sejamos realistas – sacerdotes que profanam o seu celibato com toda a espécie de corrupção sexual que a criatividade dos filhos de Adão pode imaginar, sacerdotes que se vendem por dinheiro, que desobedecem às normas da Igreja, enfim. Como afirmou o Papa Bento XVI, “nada faz a Igreja, Corpo de Cristo, sofrer mais que os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se convertem em “ladrões de ovelhas” (João 10, 1ss)”. É um dano inimaginável o que esses maus pastores podem causar às almas de quem eles deveriam salvar, sobretudo porque um sacerdote nunca se condena sozinho. Porém, devemos estar muito vigilantes para que jamais sejamos tomados de certo espírito pessimista, que nos leve a pensar que todos os sacerdotes estão corrompidos, que nos faça, enfim, deixar de contemplar a beleza do ministério sacerdotal, e maravilhosa ação que Deus prodigaliza por meio desses homens.

Diante de tantas sombras, temos que afirmar – também com realismo -, que a imensa maioria dos sacerdotes temos o desejo de sermos fiéis à nossa vocação. Ainda com toda nossa debilidade, que compartilhamos com os nossos irmãos homens, temos o anseio sincero de conversão, de santidade, e para isso, nos confessamos, buscamos uma direção espiritual, e aproveitamos todos os meios ascéticos para colaborar com a graça de Deus em nós. Quantos são os sacerdotes que se consomem diariamente, nos altares de distantes igrejas, no silêncio dos confessionários, nos hospitais, e em tantos outros lugares, para conduzir ao Céu aquelas almas que lhe são confiadas, ocultos aos olhos dos meios de comunicação?

Aproveitemos esta inspirada iniciativa do Santo Padre para fazer novamente brilhar o esplendor do sacerdócio na Igreja Católica. Esplendor que, nem sequer, a miséria dos pastores enfermos – não existem maus pastores, mas pastores doentes – poderão roubar da Santa Igreja. Resgatar práticas simples, mas carregadas de fé, como, por exemplo, pedir a bênção aos sacerdotes. Incentivá-los a que se vistam como padres. Rezar muito pela sua conversão. Fazer, de alguma forma, com que nós mesmos redescubramos o tesouro que recebemos em nossa ordenação e recuperemos nossa identidade diante da Igreja e do mundo.

Certa vez ouvi dizer que a sociedade civil é um reflexo da sociedade eclesiástica. Se isso é verdade, pense no que poderíamos fazer no mundo com um punhado de sacerdotes santos?

Pe. Demétrio Gomes da Silva
Diretor do Instituto Filosófico e Teológico do Seminário São José da Arquidiocese de Niterói

Fonte: Presbíteros

 
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Publicado por em 16 de julho de 2009 em Ano Sacerdotal

 

Campanha pela Santificação do Clero

O Veritatis Splendor iniciou uma campanha pela santificação do clero por meio de um blog criado especificamente para isso. A intenções são essas:

Que os sacerdotes sejam absolutamente fiéis ao Magistério e
valorosos defensores do Papa.

– Que os sacerdotes obedecem as normas canônicas e apresentem-se
usando batina ou clergyman.

– Que os sacerdotes preguem a doutrina católica e abjurem de toda e
qualquer heresia.

– Que os sacerdotes ensinem a verdadeira DSI e a verdadeira moral, e
deixem de favorecer a Teologia da Libertação.

– Que os sacerdotes tenham mais vida de oração, rezem, façam
meditação, tenham terço diário, celebrem piedosa e diariamente a
Missa, recitem o breviário com fervor, façam constantes visitas ao
Santíssimo Sacramento.

– Que os sacerdotes favoreçam a piedade de seus fiéis pela constante
promoção de práticas devocionais em consonância com a tradição
católica e pela exposição do Santíssimo Sacramento semanalmente.

– Que os sacerdotes se convertam em apóstolos do confessionário (e
realmente atendam os penitentes em um).

– Que os sacerdotes formem adequadamente as famílias, orientando-os
quanto a tudo o que a Igreja ensina a respeito de contracepção, moral
sexual, famílias numerosas.

– Que os sacerdotes não sejam omissos e combatam, com sua pregação,
sua oração e suas atividades apostólicas, o progressismo, o modernismo
e o relativismo.

– Que os sacerdotes celebrem a Missa na forma ordinária com total
respeito às rubricas, sem invencionices, sem mutilação do Missal, com
todos os paramentos, com canto sacro adequado – principalmente
gregoriano e polifônico -, com acólitos dignamente trajados, com
incenso, com uso de latim – até mesmo a Missa inteira em latim.

– Que os sacerdotes honrem o latim na liturgia e celebrem a Missa,
mesmo na forma ordinária (rito novo/pós-conciliar/moderno/de Paulo VI), em latim em suas igrejas.

– Que os sacerdotes celebrem em suas paróquias a Missa na forma
extraordinária (rito tridentino/pré-conciliar/tradicional/de São Pio V) e favoreçam sua difusão.

Cada interessado deverá marcar o que oferecerá em seu ramalhete. Pode-se marcar várias opções e quantas vezes for necessário. Assim, para “três terços, duas meditações e cinco horas de cilício”, se marcará três vezes na opção “terço”, duas em “meditação” e cinco em “1 hora de cilício”.
Este blog apoia a campanha e pede que todos se juntem a ela.
 
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Publicado por em 22 de junho de 2009 em Ano Sacerdotal

 

Oração pelos Sacerdotes

Oração pelos Sacerdotes
(oração indulgenciada por S. Pio X em 03/03/1905)

Ó Jesus, Pontífice Eterno, Divino Sacrificador, Vós que, no Vosso
incomparável amor, deixastes sair do Vosso Sagrado Coração o sacerdócio
cristão, dignai-Vos derramar, nos Vossos sacerdotes, as ondas vivificantes
do Amor infinito.

Vivei neles, transformai-os em Vós, tornai-os, pela Vossa graça,
instrumentos de Vossas Misericórdias.

Atuai neles e por eles, e fazei que, revestidos inteiramente de Vós pela
fiel imitação de Vossas adoráveis virtudes, operem, em Vosso nome e pela
força de Vosso espírito, as obras que Vós mesmo realizastes para a salvação
do mundo.

Divino Redentor das almas, vede como é grande a multidão dos que dormem
ainda nas trevas do erro; contai o número dessas ovelhas infiéis que ladeiam
os precipícios; considerai a multidão dos pobres, dos famintos, dos
ignorantes e dos fracos que gemem ao abandono.

Voltai para nós por intermédio dos Vossos sacerdotes. Revivei neles;
atuai por eles, e passai de novo através do mundo, ensinando, perdoando,
consolando, sacrificando, e reatando os laços sagrados do amor entre o
Coração de Deus e o coração humano.

Amém.

Do livro «O Sagrado Coração e o Sacerdócio», de Madre Luísa Margarida Claret
de La Touche

 
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Publicado por em 21 de junho de 2009 em Ano Sacerdotal