RSS

Doenças Espirituais – 3ª Parte

24 jun

Ira

A doença espiritual da ira, como, aliás, todas as outras doenças espirituais, é uma corrupção de um bem criado por Deus e dado por Ele aos homens. Existe uma ira boa, que é aquela voltada contra o pecado, especialmente contra os nossos próprios pecados. De fato, a ira boa foi criada por Deus para ser um cão de guarda contra os nossos pecados.

A ira se torna doença espiritual quando, ao invés de combatermos nossos próprios pecados, dirigimo-na contra outras pessoas. Muitas vezes a ira surge em razão das injustiças que nós sofremos. Nasce, portanto, de um sentimento de justiça ferido.

Mas esse sentimento de justiça não está contrabalançado pela misericórdia para com as outras pessoas. De fato, aquele que consegue se enxergar como o pecador que de fato é, consegue aceitar e perdoar as injustiças que outros lhe fizeram. Não nos esqueçamos da parábola que Jesus contou (Mt. 18, 23-35), na qual um servo que devia ao patrão uma fortuna praticamente incalculável obteve o perdão depois de suplicar, mas não foi capaz de perdoar a pequena dívida de um companheiro serviçal. Não importa a injustiça que sofremos: se caímos na ira, pecamos e a injustiça sofrida não apagará esse pecado.

A ira pode também estar ligada a alguma outra doença espiritual. Exemplificando, um guloso irado assim se expressaria: “Quem comeu meu pudim??”. Nesse caso, além da ira, deve-se também combater a doença espiritual que a motivou.

A ira tem como conseqüências rixas, um duradouro sentimento de indignação, a mente agitada por pensamentos de raiva e rancor. Pensemos numa explosão de raiva que tivemos: Nosso rosto fica vermelho, nossa visão fica turvada e muitas vezes dizemos coisas que nos arrependemos depois. Será que conseguimos rezar quando sofremos de ira?

O principal remédio para a ira é a mansidão. Consigo mesmo e com os outros. Todos somos pecadores, o importante é buscar o perdão e a graça divina. Também devemos aprender a perdoar o irmão incondicionalmente. Lembremos que tudo o que temos de bom foi recebido de Deus e que o Senhor pode não ter sido tão bondoso com as outras pessoas quanto foi conosco.

A ira não deve ser simplesmente reprimida, mas sim canalizada para combater o pecado dentro de nós mesmos. A força, a agressividade que temos deve ser canalizada para combater as outras doenças espirituais e não desaguar em episódios de raiva contra nossos irmãos

Tristeza

A doença espiritual da tristeza não deve ser confundida com uma tristeza qualquer. Nem se deve considerar que qualquer tipo de tristeza seja uma doença espiritual. Com efeito, existe uma tristeza que vem de Deus, pois leva ao arrependimento. É o que São Paulo escreve aos Coríntios: “De fato, a vossa tristeza foi uma tristeza segundo Deus e, portanto, não vos prejudicamos em nada. Pois a tristeza segundo Deus produz o arrependimento e, assim, leva à salvação”. (2Cor. 7, 9-10).

Como diferenciar então quando a tristeza vem de Deus e quando é doença espiritual? O pecado da tristeza é quando ficamos tristes, angustiados por apego a algum pecado. Exemplificando: Joãozinho é um avarento, que põe sua confiança nos bens materiais e se esquece de Deus. Por algum fato que não pode controlar, perde a maior parte de seus bens e fica extremamente angustiado por causa disso.

Mas não confundamos as coisas. Não somos seres absolutamente impassíveis que não se importam quando sofrem males. A doença espiritual da tristeza é se angustiar excessivamente pela perda de um bem material, mostrando o apego que temos por esses bens. Quando percebemos que temos um apego excessivo por um bem ou uma criatura devemos ficar tristes não pela perda desse bem, mas por percebemos que nos apegamos a algo que não era Deus.

Outro exemplo deixa clara a diferença entre a tristeza que vem de Deus e a que é pecado: Zezinho comete um pecado. Dias depois cai em si e percebe que pecou. Mas ao invés de se arrepender de ter ofendido a Deus, Zezinho pensa: “Por que eu fui fazer isso??”

Ora, Zezinho não chorou o pecado cometido, mas a si mesmo. Sua tristeza não vem de Deus, mas é fruto de seu próprio orgulho ferido. Quantas vezes nós nos confessamos com esse pensamento na mente?

A inveja é fruto da tristeza e também enfraquece a oração, pois quem padece dessa doença está preso aos bens terrenos e não consegue contemplar os bens celestes. É importante frisar que só pode padecer de tristeza quem está sofrendo de outra doença espiritual, pois a tristeza é conseqüência do apego aos bens terrenos.

O principal remédio para a doença espiritual da tristeza não é a alegria, mas a tristeza segundo Deus. Ou seja, ficar triste não pela perda de bens terrenos, mas pelo apego excessivo a eles, que afasta qualquer um de Deus. Não nos esqueçamos das palavras de São Paulo: “Eu digo, irmãos: o tempo abreviou-se. Então, que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem; os que choram, como se não chorassem e os que fazem compras, como se não estivessem adquirindo coisa alguma, e os que tiram proveito do mundo como se não aproveitassem. Pois a figura deste mundo passa”. (1Cor. 7, 29-31)

Também é importante lutar contra as outras doenças espirituais, já que a tristeza é um apego excessivo a um bem terreno. Por outro lado, para levar a alma a contemplar os bens celestes é essencial a leitura das Sagradas Escrituras e a oração.

Anúncios
 
1 comentário

Publicado por em 24 de junho de 2009 em Espiritualidade

 

Uma resposta para “Doenças Espirituais – 3ª Parte

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: