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Doenças Espirituais – 2ª Parte

08 jun

Luxúria

Assim como a gula é o uso desregrado dos alimentos, a luxúria é o uso desregrado da sexualidade. Também neste caso a atitude espiritual é muito importante. O sexo é algo santo, devendo ser realizado com um espírito de doação, em que os esposos estão se doando um ao outro, ao invés de estarem buscando, cada um, seu próprio prazer físico.

A luxúria não é pecado capital por acaso. O uso desordenado da sexualidade faz com que a pessoa passe a usar o sexo acima de tudo como fonte de prazer, fazendo de seu parceiro um mero objeto sexual e não uma pessoa. Mais importante: Ao invés de desejar Deus, a pessoa passa a desejar o prazer sexual.

Os Padres da Igreja ensinam que nem todo mundo que cai na gula cai, necessariamente, na luxúria, mas que todo mundo que caiu na luxúria também já caiu na gula. Assim, para combater a luxúria é necessário combater também a gula, com os remédios que vimos acima.

Outros remédios contra a gula: Os Padres da Igreja aconselhavam a realização de trabalhos manuais. Na realidade atual podemos considerar a realização de exercícios físicos como algo semelhante. A finalidade é evitar o ócio e possibilitar um sadio cansaço físico. Outra dica importante é não dormir demais e manter um padrão: dormir e acordar na mesma hora. Motivo? Mostrar ao corpo quem manda.

Devemos também vigiar: Fugir das ocasiões próximas de pecado (filmes indiscretos, olhares e pensamentos maliciosos e etc) Mas o mais importante é ter a humildade de nos reconhecermos fracos e implorar a ajuda de Deus pela oração para nos curar dessa doença espiritual.

Também é útil controlar nossa imaginação, diminuindo o tempo que passamos vendo televisão, navegando na internet, lendo romances e etc e utilizar esse tempo para orar e ler a Bíblia.

Avareza

Avareza é o apego aos bens materiais. Ela pode se manifestar por meio de uma vontade de possuir cada vez mais ou pela dificuldade de se desprender dos bens possuídos. A avareza tem uma natureza idolátrica como disse São Paulo: “o ganancioso é um idólatra” (Ef. 5, 5).

Para o avarento os bens materiais são a sua fonte de segurança ao invés de Deus. É por isso que Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores. Pois vai odiar a um e amar a outro, ou se apegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt. 6, 24).

A avareza existe por três motivos, conforme ensinamento de São Máximo, o Confessor: amor ao prazer que os bens materiais podem trazer, vaidade de se vangloriar pela riqueza que se possui e a falta de fé de quem deposita sua confiança nos bens materiais, ao invés de depositá-la em Deus. Ele afirma ainda que a causa mais grave é esta última.

Assim como na gula o pecado não está na comida, mas no homem que come, como na luxúria, onde o pecado não está no sexo, mas no homem que o realiza, na avareza o pecado não está no dinheiro, mas no homem que o possui.

O papa São Gregório Magno ensinou que a traição, a fraude, o perjúrio, a inquietação e a dureza de coração são conseqüências da avareza. Outro efeito é que o próximo deixa de ser visto como uma pessoa e se torna apenas alguém que o avarento pode utilizar para adquirir mais bens.

O primeiro passo para a cura é refletir se somos avarentos. Como? São João Clímaco dá uma dica: Se alguém se entristece quando se desfaz de um bem é porque é avarento. É importante frisar que isso vale para qualquer bem, mesmo aqueles que têm um valor sentimental bem maior que o valor material. Santa Terezinha do Menino Jesus repreendeu sua irmã, também freira, porque esta se entristeceu depois que deu seus grampos de cabelo para outra freira que lhe pediu.

Outro passo importante é reconhecer as coisas como elas são: transitórias e sem o valor que o avarento lhes atribui. Ao mesmo tempo deve se ter uma sólida fé em Deus, que é a verdadeira segurança de todo homem. Ainda devemos nos contentar com o que se possui (não confundir com mediocridade) e exercitar o desapego aos bens materiais, especialmente pela esmola, não apenas de dinheiro mas também de roupas, objetos e utensílios que muitas vezes estão empoeirados em nossos armários.

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2 Comentários

Publicado por em 8 de junho de 2009 em Espiritualidade

 

2 Respostas para “Doenças Espirituais – 2ª Parte

  1. Edna Lucia silva

    15 de julho de 2013 at 22:06

    Muito bom a matéria, muito rica, muitos católicos precisam de estudar este material , profundo esta me ajudando muito aprofundar na minha fé.

     

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