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A Igreja e o Mundo – 4ª Parte

02 jun

Finalizando a série de artigos que escrevi sobre a posição da Igreja em assuntos que o mundo considera polêmico, neste artigo analisarei a eutanásia, o celibato clerical e a democratização da Igreja.

Eutanásia: Por fim à vida de pessoas doentes, deficientes ou moribundas é moralmente inadmissível, ensina a Igreja. O falecido João Paulo II, disse poucas semanas antes de morrer que: “nestes momentos se está estendendo um conceito diferente de qualidade de vida, redutor e seletivo, que consiste na capacidade para desfrutar e experimentar prazer, ou na capacidade de autoconsciência e de participação na vida social“. E mais do que falar, o papa prestou um testemunho de suas palavras.

Esse conceito descarta todo e qualquer tipo de sofrimento que o ser humano possa passar. Para não falar que isso é uma infantilização do ser humano, que, segundo esse conceito, ao passar por momentos de grave sofrimento deve mesmo é tirar a própria vida, achar que a Igreja vá aceitar isso, também é achar que ele vai ir contra as palavras de Cristo, seu fundador: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida? Ou que poderá o homem dar em troca de sua vida?” (Mt. 16, 24-26).

O mundo parece querer que a Igreja ensine algo assim: “Se alguém quer vir após Cristo, não precisa fazer nada, nenhum tipo de esforço pessoal. Cristo vai salvá-los independente do que fizerem, pensarem ou deixarem de fazer ou pensar”. Tenho uma novidade para os que pensam assim: Isso nunca vai acontecer.

Portanto, a Igreja também não aceitará a eutanásia.

Celibato Clerical: O celibato clerical não é dogma e pode ser mudado, mas se isso ocorrer, o que eu duvido, provavelmente a Igreja Católica deve adotar a regra que impera entre os as igrejas católicas orientais: A ordenação fixa o sacerdote no estado em que está: se casado, fica casado, se solteiro, fica solteiro. E só podem ser sagrados bispos aqueles que não são casados.

Por que existe o celibato clerical? Desde o início do cristianismo, manter a castidade pelo Reino dos Céus foi considerado melhor que se casar. Em uma de suas epístolas São Paulo afirma claramente que melhor que se casar, é manter a castidade pelo Reino dos Céus. E por quê? Porque quem mantém a castidade por esse motivo, renuncia ao grande bem do matrimônio para ocupar-se unicamente das coisas do Senhor, como diz o Catecismo. Esse pensamento não surgiu sem razão, mas por causa das palavras de Cristo:

Há eunucos que nasceram assim do ventre materno. Há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!” (Mt. 19, 12).

Bento XVI, em “O Sal da terra”, afirma que o celibato clerical não existe apenas para que os sacerdotes não tenham que lidar com os afazeres da família, tendo menos tempo para cuidar dos fiéis. O principal, diz o Santo Padre, é que o sacerdote coloca toda sua vida nas mãos de Deus, renunciando justamente àquilo que normalmente que traz realização humana.

Portanto, apesar de não ser dogma, dificilmente o celibato clerical será extinto. E se houver mudanças, provavelmente a Igreja Católica adotará uma regra igual àquele adotada pelas igrejas católicas orientais.

Democratização da Igreja: Existem alguns movimentos, inclusive dentro da própria Igreja Católica, que pedem sua democratização. Alguns grupos de católicos progressistas utilizam a expressão “Povo de Deus” interpretando-o de maneira democrática, como se todo o poder da Igreja emanasse do povo.

Outra novidade para os que pensam assim: O poder da Igreja não emana do povo, mas sim de Deus. A Igreja considera a si mesma como portadora e guardiã de uma verdade divina, revelada pelo próprio Filho de Deus. Sendo assim, não cabe a nenhum homem alterá-la.

Dessa forma, o Catecismo, os mandamentos, o Código de Direito Canônico, a Tradição e teologia católica nunca serão decididas por meio de um parlamento, de votação popular, plebiscito, referendo ou qualquer coisa parecida.

Repito: Quem pensa em democratizar a Igreja nesse sentido está apenas tirando Deus do centro da existência e colocando a si próprio, renegando sua condição de criatura. Ou seja, não há absolutamente nada de novo nisso, em que pese o fato de que os que pensam assim, acham que estão revolucionando a Igreja.

Isso sem contar que, tornar-se a favor de tudo isso que eu abordei nos artigos não é garantia de mais fiéis. A Igreja Anglicana permite casamentos entre homossexuais, divórcios e ordena mulheres, mas vem perdendo fiéis de maneira bem mais rápida que a Igreja Católica. E muitos desses fiéis anglicanos, aliás, não apenas fiéis, como sacerdotes também, têm se tornado católicos justamente por perceberem que, ao contrário da igreja deles, a Igreja Católica ainda mantém os ensinamentos de Cristo.

Todas essas mudanças que o mundo quer realizar na Igreja só mostra a decadência a que nós chegamos, a tragédia em que nos encontramos. Rechaçar os ensinamentos da Igreja não chega a ser novidade, mas quando se nota que a maioria das pessoas não apenas está rechaçando esses ensinamentos, como também quer aboli-los, o que mostra que as pessoas não suportam quem as contradiga, é porque o fundo do poço está cada vez mais próximo.

Para os que acham que a Igreja se opõe ao moderno por defender costumes antigos, pego emprestada uma frase de meu amigo Cláudio Peixoto: A doutrina católica não se opõe do moderno em nome do arcaico, mas do eterno.

A Igreja e o Mundo – 1ª Parte

A Igreja e o Mundo – 2ª Parte

A Igreja e o Mundo – 3ª Parte

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Publicado por em 2 de junho de 2009 em Uncategorized

 

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