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O Pecado

22 maio

Falar sobre pecado nos dias de hoje é entrar num terreno onde reina a desinformação. Muitos acham que isso seria coisa do passado, enquanto para outros o pecado seria uma espécie de crime criado pela Igreja para manter os fiéis sob o seu domínio. Alguns até tem certo conhecimento sobre o assunto, mas tomam por normais certos atos que a Igreja ensina ser pecado. Mas mesmo muitos daqueles que defendem que falar sobre pecado não é algo do passado geralmente consideram-no como uma espécie de lei, tão alterável e tão arbitrária quanto às leis aprovadas no Congresso Nacional, por exemplo.

Para entender melhor o que é pecado devemos refletir sobre o primeiro ato de desobediência contra Deus cometido na história humana. Deus criou o homem e a mulher para viver a felicidade eterna no seio da própria Santíssima Trindade. Ou seja, Deus criou o homem e a mulher para que estes o amassem. Mas só existe amor onde há liberdade para poder amar.  Assim, Deus não obrigou o homem a amá-lo.

O relato da queda do homem utiliza uma linguagem feita de imagens para nos transmitir a seguinte mensagem:  O homem, por meio de sua liberdade e tentado pelo diabo, perdeu sua confiança em Deus e quis criar sua própria felicidade, apartada de seu Criador. Esse é o pecado original, assim chamado porque originou a atual situação de miséria em que os homens vivem.

Por causa do pecado original o homem perdeu a comunhão que tinha já aqui na terra com Deus, e todos os bens daí vindos, e passou a ser afetado pela concupiscência, ou seja, passou a ter uma tendência a pecar.

Mas não foi apenas a relação entre o homem e Deus que foi afetada. Depois do pecado original a relação entre homem e mulher passou a ser afetada pelo ciúme e pelo desejo de posse. Assim como o homem se tornou incapaz de se doar a Deus, também homem e mulher passaram a ter uma tendência de enxergar a relação esponsal não como uma doação mútua entre os esposos, mas como um usando o outro para a própria felicidade individual.

Também a relação entre o homem e a natureza foi afetada. A relação harmônica antes existente foi transfigurada: o homem passou a ver a natureza como matéria-prima destinada a virar um objeto de consumo.

O pecado original foi transmitido a todos os descendentes do primeiro casal, mas é importante notar que, além de nossos primeiros pais, nenhum homem cometeu o pecado original. Repita-se: Pecado original não é algo de errado que todo homem já cometeu simplesmente por nascer.

O pecado pessoal que cada um de nós comete é um ato, enquanto o pecado original é um estado, uma situação. Em outros termos, nossos primeiros pais eram ricos, mas perderam toda a riqueza e nós, seus herdeiros, herdamos essa “pobreza”.

Assim, o pecado original é para nós, descendentes do primeiro casal, uma lei da gravidade que nos puxa para baixo. Com efeito, a existência do pecado original é facilmente notada: Quem nunca viu uma criança que, mal começou a falar, não deixa ninguém brincar com seus brinquedos e diz: “É meu!”?

Por que tudo isso aconteceu? Por acaso Deus seria vingativo? Não sejamos ingênuos para mantermos idéias como essa. O homem foi criado para amar a Deus, ou seja, faz parte da própria constituição do homem que a verdadeira felicidade só possa ser encontrada em Deus.

Seria Ele um ser egocêntrico que quer que todos O amem? Não, mas simplesmente porque não existe nada tão bom que seja melhor que Deus ou nada mais bonito que seja mais belo que Deus. Em resumo, não existe nenhum bem maior que Deus. De fato, Deus quer nos dar o maior bem que existe no universo: Ele mesmo.

Em conseqüência todo homem tem uma sede infinita que só pode ser saciada pelo único ser infinito: Deus. Na verdade pecamos quando quereremos saciar essa sede infinita com algo finito: Nosso próprio ego, comida, bebida ou sexo desregrados, bens materiais e etc.

Como um drogado que busca prazer fácil na heroína apenas para ter sua saúde e o convívio com os outros destruídos, nós temos a tendência em procurar prazer fácil no pecado, apenas para termos nossa saúde espiritual e nosso convívio com os outros, e acima de tudo com Deus, destruídos.

Todo mundo peca em busca da felicidade. Não há pessoa que não queira ser feliz. A palavra pecado tem origem hebraica e significa “errar o alvo”. Assim, pecamos quando erramos o alvo, quando buscamos nossa felicidade onde ela não está, apegando-nos a criaturas e nos esquecendo do Criador.

A maioridade civil não faz parte da constituição do homem, tanto que até 2002 ela era alcançada aos 21 anos, enquanto hoje basta completar 18. Em tese amanhã poderá voltar para os 21 ou cair para 16.

Por outro lado, o câncer ser uma doença faz parte da constituição humana. Com efeito, sabe-se o que é um ser humano fisicamente sadio e tudo o que foge disso é doença e não seria possível que o câncer deixasse de ser uma doença mesmo se amanhã todos os médicos do mundo se reunissem e decretassem que ele deixou de ser uma enfermidade.

O mesmo ocorre com o pecado, que, portanto, não é algo subjetivo. Pecado não é algo que a Igreja, papas, teólogos ou concílios decretaram que é pecado, mas sim algo que foge à constituição do que é um homem sadio espiritualmente.

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2 Comentários

Publicado por em 22 de maio de 2009 em Espiritualidade

 

2 Respostas para “O Pecado

  1. marta luz goncalves

    11 de março de 2012 at 15:43

    obrigado por tudo. tudo o que foi falado foi pelo Espírito Santo
    aprendi que sem Deus nós não somos nada, nada mesmo quero agradercer a Deus por ter pessoas aqui na terra pra nos ajudar. paz E Bem

     

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