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3ª Reflexão Paulina

15 abr

São Paulo, Oração e Sacrifício Espiritual

São Paulo não ignorava que a busca da santidade não era um caminho fácil e sem tropeços. Pelo contrário, o Apóstolo dos Gentios sabia que o homem é fraco e é a graça divina que nos impulsiona na estrada rumo à santidade: “Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte“. (2Cor. 12, 10). Assim, ao mero ato do homem se reconhecer fraco, como de fato é, Deus responde fortalecendo-o.

Considerar-se forte é cair no pecado do orgulho, da vanglória. Em outras palavras, a glória que o homem dá a si mesmo é vã. O melhor remédio para isso é dar glória a quem merece: Deus. Como? Por meio da oração. Mas a oração não pode ser esporádica. Jesus já havia ensinado sobre a importância da oração (“E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá“. Lc. 11, 9-10) e que devemos rezar sempre, como na parábola do juiz iníquo e da viúva importuna (Lc. 18, 1-6). Como imitador de Cristo, São Paulo dizia: “Orai sem cessar“. (1Ts. 5, 17).

Um conselho que, infelizmente, é pouco seguido. Acredita-se que orar sem cessar é tarefa apenas de monges e religiosas, de pessoas que vivem uma vida inteiramente consagrada a Deus. Acredita-se que não é possível orar sem cessar em meio às tarefas do dia-a-dia. Mas em nenhum momento Jesus disse que seu conselho se dirigia aos consagrados. Tampouco São Paulo disse que só os monges deveriam orar sem cessar. Seu conselho é dirigido a todos os cristãos sem exceção.

Devemos, portanto, ter uma vida de oração: Rezar ao acordar e pedir que Deus abençoe nosso dia, que Ele nos dê a graça de usar mais esse dia de vida para caminhar rumo à santidade e não nos deixe pecar. Rezar antes de toda refeição, para que Deus abençoe os alimentar que iremos comer e para que um dia nós possamos participar do banquete celestial. Antes de iniciar qualquer tarefa, a estudar, trabalhar, ler um livro, devemos pedir a Deus a graça de fazer tudo para a glória divina: “Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Cor. 10, 31).

Mas oração não deve ser apenas aquele momento específico em que eu me dirijo diretamente a Deus. Toda a vida do cristão deve ser um ato de entrega e louvor ao Senhor, como nos ensina São Paulo: “Agora, irmãos, pela misericórdia de Deus, eu vos exorto a vos oferecerdes como sacrifício vivo, santo e aceitável: seja esse o vosso culto espiritual” (Rm. 12, 1).

Não nos esqueçamos que dos 33 anos que Jesus viveu até subir aos Céus, apenas 3 foram de vida pública. E o mais importante: o sacrifício de Jesus não se resumiu à sua crucificação, pois toda sua vida foi oferecida em sacrifício ao Pai. Sua vida escondida em Nazaré, ao lado de São José e de Maria Santíssima, Seu trabalho como carpinteiro, Suas alegrias e tristezas cotidianas, tudo isso foi oferecido em sacrifício ao Pai. Vejam, portanto, como podemos imitar Cristo sem, necessariamente, praticar atos grandiosos.

Acima de tudo, para conseguirmos fazer de nossas vidas um sacrifício espiritual a Deus,  tudo o que fizermos, devemos fazer em espírito de obediência e amor a Deus: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo” (Fl. 2, 14-15).

Dificuldades existirão certamente. Mas quando queremos alcançar um objetivo terreno, como a aprovação num concurso público, não o buscamos com todas as nossas forças, renunciando a tudo o que nos atrapalhe a alcançá-lo? Logo nosso esforço deveria ser maior para alcançar a vida eterna: “Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível” (1Cor. 9, 24-25), para alcançar “aquilo que olho não viu, nem ouvido ouvi, nem mente humana concebeu” (1Cor. 2, 9): a vida eterna.

Reflexão

Como está minha vida de oração? Procuro preencher o meu dia com pequenas orações para oferecer todas as minhas tarefas a Deus? Procuro fazer de toda minha vida um sacrifício espiritual ao Pai? Quando me deparo com alguma dificuldade fico reclamando da vida ou aceito por amor a Deus? Já renunciei a algo que me era importante para crescer espiritualmente?

Gesto concreto

Passe a rezar todos os dias, no mínimo ao se levantar e ao se deitar. Lembre-se de oferecer todas as suas alegrias e tristezas como sacrifício espiritual a Deus. Procure fazer todas as coisas para a glória de Deus. Comprometa-se a renunciar a tudo aquilo que está impedindo seu crescimento espiritual.

Oração

Ó glorioso São Paulo,que de perseguidor dos cristãos vos tornastes grande apóstolo,e que para anunciar o Cristo salvador do mundo inteiro sofrestes prisões, flagelações, apedrejamentos, naufrágios e perseguições de toda espécie, e, por fim, derramastes o vosso sangue, alcançai-nos a graça de aceitar as doenças, os sofrimentos e adversidades desta vida. Que nada nos desanime no serviço de Deus, mas sirva para crescermos na fé, na esperança e no amor. Amém.

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Publicado por em 15 de abril de 2009 em Espiritualidade, São Paulo

 

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