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2ª Reflexão Paulina – São Paulo, Batismo e Missão

03 abr

São Paulo foi batizado por Ananias logo após sua conversão (At. 9, 18). Cerca de 25 anos depois, ao escrever sua Epístola aos Romanos, ele ensina: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado”.(Rm. 6, 3-6).

Enquanto na época de São Paulo o batismo de adultos era mais comum, o que implicava que a conversão da pessoa ocorria antes de receber esse sacramento, atualmente, ao menos em nosso país, é comum o batismo logo após o nascimento. Torna-se necessária, portanto, uma catequese pós-batismal que faça desabrochar a graça batismal e faça presente ao cristão as promessas que ele realizou no batismo , assim como sua renúncia ao diabo, às obras do maligno e ao pecado.

São Paulo compara o batismo a uma morte em Jesus Cristo, para nele ressuscitarmos. Esse simbolismo era mais compreensível em sua época, pois o batismo se dava por imersão, ou seja, aquele que estava sendo batizado era mergulhado inteiramente dentro da água. O mergulho simbolizava justamente a morte para o mundo, uma descida à sepultura, e a ressurreição para uma vida nova em Deus. Assim, o batizado reveste-se de Cristo (Gl. 3, 27) e deve ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (Fl. 2,5).

O batismo muda completamente nosso próprio ser: deixamos de ser criaturas e somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão (Catecismo da Igreja Católica, § 1213). É por esse sacramento “que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.(Rm. 5,5). Tornamo-nos, pois, templos do Espírito Santo (1Cor. 6, 19).

Quem se torna filho de Deus pelo batismo, recebendo o Espírito de Amor, torna-se participante da missão de Cristo e da Igreja, como vimos acima. Como Jesus ensinou na parábola dos talentos (Mt. 25, 14-30), devemos frutificar os dons com que Deus nos presenteou. São Paulo nos ensina quais são os frutos do Espírito: “caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl. 5, 22-23). Também nos mostra quais são os frutos do pecado, que devemos evitar com todas as nossas forças, como ele adverte: “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl. 5, 19-21).

Além de frutificar a graça recebida no batismo, todo batizado tem a obrigação de pregar o Evangelho (Catecismo da Igreja Católica, § 900). São Paulo levava tão a sério essa missão que chegou a dizer: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor. 9, 16). E não foram palavras vãs. Os Atos dos Apóstolos relatam três viagens missionárias de São Paulo. Durante essas viagens ele partiu da atual Síria e passou pelas atuais regiões da Turquia, Chipre e Grécia, entre outras. Por fim, quando estava Jerusalém foi preso e levado a Roma, mas aproveitou todo o seu percurso para evangelizar. Embora não exista certeza absoluta, alguns historiados acreditam que São Paulo foi solto, viajou para a atual Espanha e ao retornar a Roma é que foi martirizado, sofrendo a decapitação. Não custa lembrar que todo esse itinerário foi feito sem automóvel ou avião! São Paulo evangelizava com o testemunho de sua própria vida.

Reflexão

Como é minha vida de batizado? Vivo como verdadeiro filho de Deus ou como escravo do pecado? Tenho os mesmos sentimentos de Jesus Cristo? Como templo do Espírito Santo, frutifico os dons que recebi ou expulso Deus de dentro de mim mesmo por causa de minhas ações? O que tenho feito para evangelizar os outros, especialmente aquelas pessoas que me são mais próximas? Minha vida serve de testemunho para evangelizar, ou, na verdade, eu dou um contra testemunho?

Gesto concreto

Renove suas promessas de batismo rezando com fé o Credo e renunciando ao diabo, às suas obras e ao pecado. Reze pedindo a Deus que o ilumine, ajude-o a viver como seu filho e a evangelizar os outros por meio de seu testemunho de vida.

Oração

Ó glorioso são Paulo, que no caminho para Damasco fostes tocado pela luz de Jesus, que transformou profundamente a vossa vida. De perseguidor vos tornastes corajoso seguidor de Cristo, destemido evangelizador e fundador fecundo de comunidades cristãs. Rogai por nós, para que também sejamos agraciados com esse espírito de coragem que nos arranque da preguiça espiritual e nos faça testemunhas convincentes de Jesus, apóstolos e apóstolas para o mundo de hoje. Por vossa intercessão, a messe do Senhor seja enriquecida com muitas vocações missionárias e que a vosso exemplo, levem o Evangelho a todos os povos, para que Cristo seja tudo em todos. Amém!

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Publicado por em 3 de abril de 2009 em Espiritualidade, São Paulo

 

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