RSS

Adeus a João Paulo II

02 abr

O artigo abaixo foi escrito logo após o falecimento do papa e publicado no site Mídia Sem Máscara na época. Como ele não faz mais parte dos arquivos do site e o hoje é aniversário do falecimento de Sua Santidade resgatei-o dos meus arquivos pessoais.

É com lágrimas nos olhos e tristeza no coração que escrevo este artigo, pois o papa João Paulo II acaba de falecer. Quem é católico como eu, e compreende a importância do papa, não apenas como referencial de vida, mas como sucessor de São Pedro e vigário de Cristo na Terra, deve estar sentindo a mesma coisa. Até os cristãos de outras denominações, seguidores de outras religiões e mesmo aqueles que, infelizmente, não seguem nenhuma religião, tem motivos para estarem pesarosos, pois a benigna influência do Santo Padres se estendeu para além do mundo católico.

Karol Jozef Woijtyla nasceu no dia 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, sul da Polônia. O futuro papa viu seu país ser invadido pelo exército nazista, fato que deu início à Segunda Guerra Mundial. Poucos anos depois viu os nazistas serem derrotados apenas para serem substituídos pelo exército soviético, que impôs um regime comunista ao país.

Atleta e ator em sua juventude, João Paulo II entrou em um seminário clandestino na cidade de Cracóvia em 1942, sendo ordenado padre em 1946. Em 1948 conclui o doutorado em teologia e dez anos depois foi sagrado bispo. Participou ativamente do Concílio Vaticano II (1962-1965) e pouco tempo depois, em 1967 foi nomeado cardeal pelo Papa Paulo VI. Por fim, foi eleito papa pelo Colégio de Cardeais no dia 16 de outubro de 1978, após o breve papado de João Paulo I.

Poucos dias depois de se tornar papa, João Paulo II enviou uma mensagem para seu país natal, a Polônia: “Quero estar muito com vocês no 900º aniversário do martírio de São Estanislau (padroeiro da Polônia)”. No ano seguinte, quando chegou a data, Sua Santidade cumpriu a sua promessa e visitou os poloneses. Multidões de mais de um milhão de pessoas se aglomeraram para ver o papa, que aproveitou para mandar uma mensagem não só para seus compatriotas, mas para todos aqueles que viviam sob a Cortina de Ferro: “Não é preciso ter medo, as fronteiras têm que ser abertas”. Um ano depois o Solidariedade era fundado. Finalmente, em 1989, ocorreram as primeiras eleições livres desde a implantação do comunismo. Das 262 cadeiras do Senado, 261 ficaram com o Solidariedade. Dois meses depois o regime comunista caiu na Polônia e nos meses seguintes a Cortina de Ferro veio abaixo.

Sua oposição combativa ao comunismo quase lhe causou a vida. No dia 13 de maio de 1981 João Paulo II sofreu um atentado em plena Praça de São Pedro que quase o matou. Recentemente foi revelado que o turco Mehmet Ali Agca foi contratado para assassiná-lo pelo serviço secreto búlgaro, que por sua vez havia recebido tal ordem diretamente da União Soviética.

Além de enfrentar os regimes comunistas então estabelecidos no mundo, Sua Santidade também teve que lutar contra doutrinas inspiradas no comunismo que se imiscuíam dentro da própria Igreja Católica, debaixo do rótulo de “Teologia da Libertação”. Já em 1979 o papa declarou que “a Teologia da Libertação é uma teoria falsa”. Nos anos seguintes adotou uma forte posição contra o segmento do clero adepto de tal posição e conseguiu diminuir consideravelmente a influência deles.

Frente ao relativismo e niilismo do mundo moderno, Sua Santidade reafirmou várias vezes a validade dos ensinamentos cristãos. João Paulo II criticou várias vezes o que denominou “cultura da morte” do mundo moderno, que prega o aborto e a eutanásia. É importante lembrar que, além de meras palavras, a vida do Santo Padre foi um grande testemunho contra essa cultura da morte. Além disso, o papa reafirmou várias vezes a santidade do casamento, atacando as propostas de legalização do casamento entre homossexuais.

João Paulo II foi o papa que mais viajou, o que lhe valeu a alcunha de “o papa peregrino”. Ao Brasil veio três vezes, uma em 1980 e outra em 1991 e a última em 1997. Foi também à África e visitou Jerusalém. Em 1983 se tornou o primeiro papa a visitar uma sinagoga.

O pontificado de João Paulo II foi o terceiro maior de toda a história e certamente ainda causará grande influência não apenas na Igreja Católica, mas no mundo inteiro. Durante os últimos 26 anos o Santo Padre foi um farol para aqueles que têm fé, um porto seguro para os homens de bem e um grande condutor da barca de São Pedro.

Segundo o cardeal Camillo Ruini, o papa, o servo dos servos de Deus, enfrentou a prova mais difícil de sua vida com serenidade e abandono, confiando nas mãos de Deus. Serenidade que com certeza surge da esperança; esperança nas promessas de Cristo: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc. 23, 43), e nas palavras de São Paulo, “pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. (Fil. 1,21).

Que o exemplo que o papa nos deu com sua vida e morte continue a inspirar multidões. E que Deus acolha em seu seio o servo dos seus servos.

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 2 de abril de 2009 em João Paulo II, Papa

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: