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Separação Igreja-Estado

31 mar

Uma das estratégias utilizadas por grupos favoráveis ao aborto, ao casamento gay e qualquer tipo de proposta que seja contrária aos valores cristãos é acusar aqueles que lhes são contrários de desejarem submeter o Estado à Igreja, numa suposta volta para a “Idade das Trevas”. Ignoremos essa última acusação, meramente pejorativa e fundada num preconceito sem lastro na realidade. Isso será tratato no futuro.

O objetivo dessa estratégia é simples: calar todos aqueles que são contra o aborto, o casamento gay, a destruição de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa e etc.  Urge salientar que esse tipo de preconceito atinge altas esferas dentro do próprio Estado brasileiro. Quando o Supremo Tribunal Federal julgou o caso das células-tronco embrionárias, vários ministros praticamente criminalizaram a posição contrária por não ser, supostamente, científica. (esse mesmo cientificismo rasteiro também é um excelente tema para outro artigo).

O interessante é que as mesmas pessoas que adoram acusar os outros de ignorarem a separação Estado-Igreja não tem a menor timidez em ignorar a separação Igreja-Estado. O quero dizer com isso?

Se pensarmos em termos meramente civis a Igreja Católica, sob certos aspectos, é uma associação civil. Como qualquer associação ingressa nela quem quer e Ela tem o direito de estabelecer direitos e obrigações para todos os seus associados e penalidades. Caso o associado não cumpra com suas obrigações, inclusive a penalidade de exclusão de seus quadros.

A gritaria criada em dois casos recentes mostra isso muito bem. As declarações de Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Recife e Olinda, sobre a excomunhão daqueles que cooperaram diretamente para o aborto dos gêmeos da menina de Alagoinhas geraram uma controvérsia inútil, mas o pior foram aqueles que, não apenas censuraram as declarações do bispo, como também defenderam que a Igreja não poderia excomungar ninguém. Vi na imprensa a sugestão de que os excomungados deveriam ajuizar ação de indenização contra a Igreja por causa disso.

Ora, a Igreja tem o direito de expulsar de seus quadros aqueles que por seus comportamentos ou opiniões em desacordo com o que Ela ensina se colocam, eles mesmos, fora da comunhão eclesiástica.

O outro caso recente que citei foram as declarações do papa Bento XVI na sua última viagem à África, ocasião em que Sua Santidade relembrou os ensinamentos seculares da Igreja sobre sexualidade e relembrou a condenação ao uso de camisinha.

Sem entrar na questão de que a disseminação da camisinha ajudou a propagar a AIDS (o jornalista Reinaldo Azevedo publicou um ótimo texto na semana passada sobre isso, onde um especialista no assunto confirmou a declaração do papa. O blog dele está na seção de links), é importante fazer algumas considerações.

A Igreja defende o sexo (com fins unitivos e reprodutivos) apenas após o casamento, sendo, portanto, contrário a algo que retire qualquer um dos dois fins que o sexo deve ter. Caso todos seguissem a Igreja nesse quesito com certeza a Aids não seria o problema que é hoje. Entretanto, foge ao meu entendimento como alguém pode fazer sexo antes e/ou fora do casamento e não usar camisinha porque a Igreja mandou, já que, se essa pessoa estivesse preocupada em seguir a Igreja, ela não estaria fazendo sexo fora, ou antes, do casamento. Assim como também foge ao meu entendimento culpar o papa por tal situação que, diga-se de passagem, só deve existir hipoteticamente.

Não obstante tudo isso, as imprensas européia e americanas, bem como políticos de ambos os lados do Oceano Atlântico, crucificaram o papa, porque este estaria ajudando na disseminação da AIDS.

No mundo do politicamente correto é proibido sair do figurino, mas não esqueçamos que a Igreja tem o direito de defender suas posições.

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2 Respostas para “Separação Igreja-Estado

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